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Como analisar uma DRE, 3 fatores importantes.

Uma das demonstrações financeiras que mais podem nos dar informações acerca do negócio da empresa é a Demonstração do Resultado do Exercício. Ela também é chamada pela sigla DRE, então continue lendo para saber como analisar uma DRE.

Neste artigo vou falar sobre 3 fatores da DRE que indicam se a empresa é boa ou não. Lembrando que a DRE de um período sozinha não nos diz muita coisa. Precisamos analisar várias DREs de vários anos e procurar por consistência nos resultados.

Existem muitas coisas para analisar na DRE, entretanto neste post vou falar somente sobre 3 coisas, além de uma explicação geral sobre a Demonstração do Resultado do Exercício. Esses 3 fatores são:

  1. Despesas com Vendas Gerais e Administrativas;
  2. Depreciação;
  3. Margem Líquida.

Vamos começar com uma visão geral sobre a Demonstração do Resultado do Exercício.

Visão geral da DRE

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A DRE informa sobre os resultados da operação da empresa em um determinado período. Basicamente ela é feita a cada trimestre do ano e no final do ano englobando o ano todo. Eu particularmente prefiro analisar as anuais, de vários anos.

A DRE informa basicamente sobre as receitas, as despesas e custos e o lucro ou prejuízo que são as receitas menos os custos e despesas. Como você pode ver no exemplo acima, está uma DRE simplificada. Nela estão as principais contas mostradas nas DREs. Contudo, quando você baixar uma DRE no site da Bovespa por exemplo, ela vem mais detalhada conforme abaixo. Ai tem que ir se achando aos poucos.

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A vantagem competitiva refletida na DRE

A maioria dos investidores pessoa física que se concentra em como analisar uma DRE, vê somente se a empresa vem dando lucro ao longo do tempo. É claro que se o lucro ao longo do tempo for consistente é um bom sinal. No entanto existem alguns detalhes que apontam se a empresa tem realmente alguma vantagem em cima de suas concorrentes.

Empresas com vantagem competitiva tendem a gerar montanhas de dinheiro no longo prazo. Se você comprar ações de uma empresa com vantagem competitiva e conseguir mantê-las ao longo do tempo pode ganhar uma boa grana.

Ao longo do tempo, essa vantagem competitiva gera uma montanha de dinheiro para a companhia. Essas características são refletidas na DRE de forma discreta. Neste artigo vou explicar 3 pontos que indicam que a companhia pode ter uma vantagem competitiva.

1. Despesas de vendas, gerais e administrativas

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Nessas contas a empresa informa as despesas diretas e indiretas com vendas e as gerais e administrativas durante todo o período contábil a que se refere a DRE. Nessas despesas estão incluídas salários de gerentes, custos com viagens, propagandas, folha de pagamento… esse tipo de coisa. Juntas essas despesas são chamadas de VGA.

Este número sozinho não quer dizer nada entretanto se olharmos para ele como percentual do lucro bruto ao longo do tempo, ele pode nos dizer muita coisa. Sendo assim, se você quer saber como analisar uma DRE para saber se a empresa em questão é boa ou não preste atenção nisso.

Companhias que lutam para sobreviver dia após dia em meio a uma concorrência acirrada torram um grande percentual do lucro bruto com VGA em tempos de crise. Em empresas medíocres o percentual do VGA sobre o lucro bruto passa dos 80%.

Em empresas de setores que sofrem com constantes crises, as vendas começam a cair significativamente. Essa queda nas vendas provocam uma diminuição da receita e consequentemente do lucro bruto. Entretanto, as despesas gerais e administrativas permanecem as mesmas. Se a administração da empresa não consegue cortar o VGA em tempo suficiente o lucro começa a despencar.

Em boas companhias essas despesas costumam ficar abaixo de 80% do lucro bruto. Uma empresa que mantém constantemente (constantemente entendeu bem?) as suas despesas de VGA em um percentual de 80% abaixo do lucro bruto é um indício de boa administração.

Procure este tipo de empresa mas não deixe de analisar outros fatores. Existem empresas que gastam menos de 80% do lucro bruto em VGA mas corroem o resto com gastos em P&D, despesas com ativos fixos e despesas financeiras.

No geral, verifique se o VGA é maior que 80% do lucro bruto. Se for, considere descartar a empresa como investimento pois isso pode ser sinal de setor em crise ou de má administração.

2. Depreciação

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Todo maquinário comprado pela empresa para suas atividades sofre desgaste ao longo do tempo. Este desgaste é contabilizado na DRE como Depreciação. Para ver como analisar uma DRE leve em conta a Depreciação.

Imagine que uma empresa comprou uma máquina por 1 milhão de reais. Essa mesma máquina tem uma vida útil de 10 anos. Em razão disso, por questões contábeis, a despesa da máquina é distribuída por 10 anos durante seu uso, sendo 100 mil reais por ano.

Com a compra da máquina 1 milhão é acrescentado ao ativo imobilizado no balanço patrimonial. Assim, a cada ano 100 mil reais aparecem como Depreciação na DRE e são deduzidos do ativo imobilizado, durante os 10 anos seguintes.

Se a máquina é quitada antes, os 100 mil que são deduzidos do lucro não representam saídas de dinheiro em caixa. Isso significa que na realidade essa depreciação pode ser somada ao lucro para saber na realidade o que tem de dinheiro.

Para isso foi criado o termo EBITDA, que significa em inglês Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português também é chamada de LAJIDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização).

O EBTIDA é um número muito divulgado nos releases e relatórios de resultados das empresas, afinal de contas ele é um número maior do que o lucro. O problema é que ao usar o EBITDA estamos ignorando a Depreciação.

A Depreciação é uma despesa real. No fim das contas a empresa vai ter que gastar outro milhão pra comprar uma máquina nova e continuar com suas atividades. Assim, se a depreciação for menor do que 10% do lucro bruto melhor! Isso é sinal de que a companhia não precisa ficar toda hora comprando maquinário para operar.

Se não descontarmos a Depreciação do lucro vamos ter a impressão de que a empresa está lucrando mais do que realmente está. Portanto não encha os olhos com um EBITDA alto pois você pode ter a ilusão de que a empresa está ganhando caminhões de dinheiro. Não esqueça que no futuro ela vai precisar dessa grana pra investir em novos maquinários.

3. Margem Líquida

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A tendência do lucro líquido de vários anos pode nos dizer muito sobre a qualidade da companhia. A receita pode não nos dizer muita coisa. Mas o coeficiente do lucro líquido em relação à ela pode nos revelar muito sobre as condições econômicas de tal companhia.

Este coeficiente do lucro líquido em relação a receita é o que chamamos de margem líquida. Ela nos diz para cada real em vendas quantos centavos é lucro.

Qual ação você prefere, a de uma empresa que lucra 2 milhões com uma receita de 10 milhões ou uma que lucra 5 milhões com uma receita de 100 milhões?

Eu prefiro a primeira pois para cada real ganho 20 centavos são lucro. Já para a segunda, de cada real ganho 5 centavos são lucro.

Boas empresas apresentam uma margem líquida maior que a das concorrentes. No geral, margem líquida superior a 20% é fantástico. Mas existem boas empresas que possuem margem líquida entre 10% e 20%.

Aqui, é comparar com as empresas do mesmo setor. A que tiver a margem maior deve ser a mais competitiva do setor e deve ser analisada com mais carinho.

Finalizando, como analisar uma DRE

Aqui, os 3 conselhos de como analisar uma DRE são:

  1. Evite empresas com despesas VGA maior do que 80% do lucro bruto;
  2. Não encha os olhos com o EBITDA, considere a Depreciação, use o Lucro Líquido, e se a Depreciação for menor do que 10% do lucro bruto é bom sinal;
  3. Escolha as empresas de maior margem líquida do setor analisado.

Por hora é isso!

Não deixe de aprender mais sobre análise de empresas leia este artigo.

Espero ter ajudado, deixe seu comentário.

3 comentários em “Como analisar uma DRE, 3 fatores importantes.

  1. Excelente post.
    Grato por compartilhar o conhecimento. Agora, o lucro operacional da sua planilha simplificada está incorreto, eu acho. Não seria 4200?

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